CONTROLE SOCIAL DA MÍDIA
O general Newton Cruz
mostrou há 30 anos como funciona o ‘controle social da mídia’ com que sonha a
seita LULOPETISTA.
De passagem pela
Argentina, entre um e outro olhar 171 na direção da companheira Cristina
Kirchner, Lula festejou a ofensiva liberticida concebida para sufocar
financeiramente o Grupo Clarín. “Podem vir todos os jornais, todos os canais de
televisão que quiserem que não poderão negar o apoio que este governo tem”,
caprichou na bravata ao discursar na inauguração de uma universidade controlada
por sindicalistas. Na continuação do palavrório, sonhou acordado com a
ressurreição da censura à imprensa no Brasil, disfarçada de “controle social da
mídia” ou “regulamentação dos meios de comunicação”.
“Faz dois anos e meio que
deixei o governo”, choramingou o ex-presidente que ainda não desencarnou do
Planalto. “Eu pensei que a nossa imprensa, no Brasil, fosse parar de falar mal
de mim. Mas hoje falam mal de mim e da Dilma. Às vezes, eu tenho a impressão de
que a imprensa está exilada dentro de nosso país. Está isolada. Quando nos
criticam, dizem que é democracia, mas quando nós os criticamos dizem que estão
sendo atacados”. (Segundo o Glossário da Novilíngua Lulopetista, “falar
mal” quer dizer divulgar, denunciar,
investigar ou comentar escândalos protagonizados por militantes ou aliados do
PT. Exemplo: “Faz 195 dias que alguns jornalistas falam mal de Lula e Rose”).
Dias depois da performance
dedicada à viúva-de-tango, o palanque ambulante retomou no Peru o tema
recorrente. Entre uma palestra de 100 mil dólares e uma conversa encomendada
por benfeitores de campanhas eleitorais, o camelô de empreiteiro concedeu uma
entrevista ao La Republica - e não perdeu a chance de reiterar a advertência:
“Os companheiros da comunicação devem compreender que um canal de TV é
concessão do Estado. E não se pode usar uma concessão para atuar como partido
político. Não pode inventar fatos. Tem de contar a verdade”. (O alvo era o
jornalismo independente. Ruim de mira, Lula acertou a testa da TV Brasil, o pé
das emissoras do companheiro José Sarney e o fígado do jornal do parceiro
Fernando Collor.)
Passados quase 30 anos, o
ex-presidente - quem diria - invoca argumentos semelhantes aos utilizados pelo
general Newton Cruz, então comandante militar do Planalto, para inaugurar em 17
de dezembro de 1983 o que o PT batizaria tempos depois de ‘controle social da
mídia’. A estreia da censura com codinome ocorreu durante a entrevista coletiva
convocada pelo general para prestar contas à nação sobre as medidas de
emergência em vigor desde 19 de outubro daquele ano. Em tese, haviam sido
decretadas “para preservar a ordem pública” em Brasília. Na prática, pretendiam
inibir as manifestações populares que reivindicavam o restabelecimento das
eleições diretas.
Já no começo da
entrevista, o repórter Honório Dantas, da Rádio Planalto, fez a pergunta óbvia:
o regime democrático sofrera um retrocesso? Como tem ensinado nos últimos anos
o ex-jornalista Rui Falcão, o chefe militar achou que aquilo não era de
interesse público. E partiu para o berreiro de botequim:
“Que retrocesso coisa
nenhuma! Que retrocesso? É constitucional. O que é democracia? Democracia é a
aplicação da lei! A lei foi aplicada! Então, não houve retrocesso. Que
modifique a lei, então. Que retrocesso coisa nenhuma! Isso daí é reproduzido em
centenas de jornais, atinge milhões de brasileiros, uma única fonte dizendo
falsidades! Atinge milhões de brasileiros e mais ainda: cada jornal reproduz
como se fosse uma notícia sua! Vale dizer, sai de uma maneira num jornal, sai
de outra maneira em outro jornal! Isso aí fica espalhado no Brasil todo! Fonte?
Uma única – e falsidade!”
Resumo da gritaria: a
culpa era da imprensa. Que, além de espalhar mentiras, também se atrevia a
afrontar um patriota fardado, atesta a continuação do incidente inverossímil.
Parece ficção. A gravação prova que é tudo verdade. O militar que os colegas
chamavam de “Nini” (e o presidente João Figueiredo promoveu a “nosso
Mussolini”) mostrou como funciona a censura com que sonham os lulopetistas.
Para ensinar que
jornalistas não devem perturbar autoridades com perguntas incômodas, muito
menos discordar do que diz a voz do poder, o entrevistado primeiro ordenou que
o radialista calasse a boca - e sublinhou a ordem com um empurrão. Como o
entrevistador continuou a falar, o entrevistado enlaçou com um braço o pescoço
do inimigo e exigiu aos berros que pedisse desculpas. Nada como uma boa gravata
para deixar claro que imprensa séria é imprensa a favor.
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