CPI DO CACHOEIRA, FALCÕES DO PT SÃO DERROTADOS E ISOLADO.
RELATOR É OBRIGADO E RETIRAR DO TEXTO PERSEGUIÇÃO À
IMPRENSA E AO PROCURADOR-GERAL
Após ser coagido por
falcões petistas a incluir no relatório da CPI do Cachoeira ataques ao
Ministério Público e à imprensa, o deputado Odair Cunha apresentou o documento
nesta quarta-feira e optou por tirar do texto os trechos em que recomendava o
indiciamento de cinco jornalistas e pedia ao Conselho Nacional do MP uma
investigação sobre o procurador-geral da República, Roberto Gurgel.
Cunha foi, portanto, na
contramão das ordens do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do presidente
do PT, Rui Falcão.
O relatório original, que
servia apenas ao revanchismo de Lula, foi duramente criticado por
parlamentares.
E dificilmente seria
aprovado em plenário.
A decisão de Cunha foi
acatada pela bancada do PT na comissão minutos antes da reunião da CPI.
Marcada originalmente para
as 10h15 desta quarta, a sessão começou com mais de 45 minutos de atraso, após
reunião entre parlamentares e o senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), presidente da
comissão.
Cunha modificou seu
relatório apenas nos pontos que tratam de Gurgel e dos jornalistas, trechos que
classificou como “elementos não essenciais” no documento.
“Quem discordar do meu
relatório, retirada essas duas partes, terá de votar contra ele inteiro”,
disse.
A intransigência do
relator provocou protestos entre os parlamentares.
O relator está invocando
para si mesmo a condição de ditador?
Questionou o deputado Vaz
de Lima (PSDB-SP), em momento tenso da sessão.
Também, sem efeito.
Os parlamentares terão
agora cinco dias para propor mudanças ao texto.
Todas as propostas
passarão pelo crivo do relator.
Em sessão que já dura
cerca de 90 minutos, Cunha lê um resumo do relatório preliminar, de mais de
5.000 páginas.
A reunião chegou a ser
interrompida por 15 minutos, para a distribuição do sumário lido em plenário a
todos os deputados.
NOVA VERSÃO
Pela nova versão do texto,
agora são 29 os pedidos de indiciamento e 12 os responsabilizados pela CPI.
Entre eles, o governador
Marconi Perillo (PSDB-GO), que, segundo o texto, deve ser responsabilizado pelo
Ministério Público Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) pelos
crimes de formação de quadrilha, advocacia administrativa, tráfico de
influência, formação de quadrilha e falso testemunho.
As suspeitas contra o
governador ainda incluem a prática de sonegação fiscal, de caixa dois de
campanha e de improbidade administrativa.
Também consta o pedido de
indiciamento de Fernando Cavendish pelos crimes de formação de quadrilha e
lavagem de dinheiro.
Desdobramentos das
atividades criminosas da Delta, segundo Cunha, devem ser investigados por autoridades
policiais, pelo Ministério Público e pela Receita Federal.
O ex-senador Demóstenes
Torres, a mulher de Cachoeira, Andressa Mendonça, e o ex-diretor da Delta no
Centro-Oeste, Claudio Abreu compõem também o núcleo central do esquema, segundo
o relator.
JUSTIFICATIVAS OFICIAIS
A justificativa oficial
para a inserção do nome de Gurgel no texto é que o procurador não deu
continuidade às investigações da Operação Vegas, da Polícia Federal.
A oposição, entretanto,
imputa à bancada do PT a tentativa de usar o relatório como instrumento de vingança
política, devido à atuação do procurador durante o julgamento do mensalão.
Atingir a credibilidade da
imprensa livre pelo papel que teve na revelação do escândalo do mensalão foi o
motivo da tentativa de indiciamento de jornalistas pela CPI entre eles o do
diretor da sucursal de Brasília de VEJA, Policarpo Júnior.
Nota de esclarecimento de
VEJA, publicada na última quinta-feira, mostra que o relatório, redigido sob
pressão da ala radical do PT, suprimiu provas de que os contatos entre
Policarpo e Cachoeira jamais extrapolaram os limites do trabalho de um repórter
em busca de informações.
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