domingo, 24 de março de 2019

*IRREVERENTE RODRIGO MAIA*

22/03/2019
Conta a fábula que uma grande comunidade de ratos vivia tranquila e se reproduzia rapidamente num velho armazém.
Por mais que seu proprietário tentasse envenená-los, não conseguia.
Ratoeiras?
Nem pensar, cardápio diferente...
Era melhor continuarem nos grãos.
Até que cansando, o dono do depósito resolveu botar um gato.
Na primeira noite, três vítimas.
Durante o dia ou a qualquer hora, o gato atento, mesmo dispensando refeição extra, matava-os por instinto predatório.
Em uma semana, as baixas foram grandes.
Os ratos acuados se reuniram para discutir o destino da comunidade.
Surgiu a ideia de botar um chocalho no gato, pois ao andar, com o som do chocalho, eles localizariam onde estava o bichano.
Todos concordaram.

Então veio a pergunta irrespondível:
Quem vai botar o chocalho no gato?
Não apareceu o voluntário.

No sábado (17/03/2019), um dia antes de o presidente Bolsonaro viajar para os Estados Unidos, o irreverente Rodrigo Maia convidou-o para um churrasco íntimo em sua casa, onde discutiriam “minúcias” sobre a reforma da Previdência.

No encontro, apenas ele, o ministro Onyx Lorenzoni e o convidado (Jair Bolsonaro).

Desconfiado da cortesia e conhecedor da “malandragem carioca”, o presidente foi.
Mas, levou consigo 17 convidados.
Dentre eles, alguns generais, o ministro Heleno do Gabinete de Segurança Institucional.
Para surpresa de todos, quem estava lá era o Ministro Dias Toffoli, presidente do STF, David Alcolumbre (presidente do Senado) e seu ex-ministro da Casa Civil, Gustavo Bebianno (?).

A ousadia do destemido Rodrigo Maia, pressionado e instigado pelo famigerado “centrão”, é de um afoito inominável.
Ao lado de David Alcolumbre, presidente do Senado, “armaram” para tentar botar o chocalho no gato (Bolsonaro).
Mas, para o bem geral da nação, o ímpeto foi abortado pelo excesso de testemunhas.
A partir da “cabeça” do ministro Sérgio Moro, ocupação de cargos estratégicos (com dinheiro) pelo centrão, barrar pedidos de impeachment de ministros do STF, impedir instalação da lava-toga e fim da lava-jato, tudo seria discutido e pleiteado.

Um registro fotográfico discreto seria providenciado, e espalhado nas redes sociais, fato que geraria suspeitas no eleitorado de Bolsonaro e em toda a sua equipe de abnegados da causa de mudar o país.
A foto ainda foi feita e divulgada.
Mas, não conseguiram esconder o Gen. Heleno, delegado Waldir, ministra Damares...

O “centrão” é um movimento de deputados federais suprapartidário, que surgiu das cinzas do “baixo clero”, aglomerado de parlamentares espertos, que elegeram em 2005 o pernambucano Severino Cavalcanti para presidência da câmara, uma candidatura avulsa, derrotando o pretendente do governo (PT) e adversários lançados por composições das grandes legendas de então, PMDB, PFL, PDT, PTB...

Severino Cavalcanti durou pouco mais de 07 meses como presidente.
Em manobras para abortar o mensalão, fazendo todo tipo de negociação espúria e trancando a pauta com o apoio da gang que o cercava, foi alvo do MPF em investigação destinada, onde descobriram um “mensalinho” pago a ele pelo concessionário que explorava os serviços de restaurante da câmara. Temendo ser cassado, renunciou à presidência e seu mandato.

A tática do centrão é levar o governo de plantão ao desgaste.

Na medida em que o governo se impopulariza, cresce o centrão, passando a ocupar a esplanada dos ministérios e negociando pessoalmente (deputado por deputado) votos para projetos que tragam benefícios diretos para o povo e o governo brasileiro.

De bolsos cheios, renovam seus mandatos com folgas.

Até as eleições de 2014, os campões de votos por estado, eram todos do centrão.
O “baque” veio em 2018.
Mas, com o aprofundamento da crise, a pressão do centrão empurra o presidente da câmara para chantagear o executivo até que ele ceda.
O destempero do presidente Rodrigo Maia não é por acaso.
Já disse que “a câmara não é cartório para registrar queixas do povo” (?).

Depois disparou com outra:
“A câmara e seus deputados são soberanos...” Um internauta respondeu que:
“Soberano” não se elege, já nasce soberano.
O povo vota em representantes".

Quarta-feira (20/03/2019) foi a vez de agredir e humilhar um dos nomes mais respeitados do país, o Juiz Sérgio Moro:
“Ele é funcionário de Jair Bolsonaro... Está trocando as bolas, eu converso com o presidente”.

Ontem, quinta-feira, veio a prisão de seu sogro, ex-governador do Rio Moreira Franco.
Seus comparsas quiseram atribuir a uma retaliação corporativa do Juiz Marcelo Bretas, em defesa de Sérgio Moro.
Rodrigo Maia conferiu que o mandado de prisão foi expedido um dia antes 19.03.2019.

Queiram ou não, para aprovar a reforma da Previdência, Bolsonaro terá que botar um “gato” (PF e lava-jato) na câmara.

E Rodrigo Maia, se tiver juízo, renuncia imediatamente a presidência e seu mandato.
Imagine se na busca e apreensão na casa de seu sogro, a PF tiver encontrado algo como... “doação de campanha não declarada”?

*COLUNISTA JÚNIOR GURGEL*

http://www.apalavraonline.com.br/colunista/junior-gurgel/
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