CONTO DE UM EREMITA
Conta-se que um eremita, umas dessas pessoas que, por
amor a Deus se refugiava na solidão das grutas para se dedicar somente a oração
e a penitencia.
Muitas vezes reclamava que tinha muito que fazer.
Uma vez um homem indagado perguntou como era possível
que, em sua solidão, tivesse tanto trabalho.
Prontamente respondeu.
Tenho que domar 2 Falcões, treinar 2 Águias, manter
quietos 2 Coelhos, carregar 1 burro, vigiar 1 Serpente e domar 1 Leão.
O homem olhando a sua volta:
Não vemos nenhum desses animais perto do local onde
vives.
Onde estão estes animais?
O eremita então explicou:
Estes animais todos nós temos, vocês também.
VEJAM SÓ:
Os dois Falcões se lançam sobre tudo que aparece, seja
bom ou mau.
Tenho que domá-los para que só se fixem sobre uma boa
presa.
SÃO MEUS OLHOS!
As duas Águias ferem e destroçam com suas garras.
Tenho que treiná-las para que sejam úteis e ajudem sem
ferir.
SÃO MINHAS MÃOS!
Os dois Coelhos querem ir aonde lhes agrada, fugindo dos
demais e esquivando-se das dificuldades.
Tenho que ensina-los a ficarem quietos, mesmo que seja
penoso, problemático ou desagradável.
SÃO MEUS PÉS!
O Burro é muito obstinado, não quer cumprir com suas
obrigações.
Alega estar cansado e se recusa a transportar a carga de cada
dia.
É O MEU CORPO!
O mais difícil é vigiar a Serpente, apesar de ela estar
presa, numa jaula de 32 barras.
Está sempre pronta para morder e envenenar os que a
rodeia.
Se não vigio de perto causa danos.
É A MINHA LÍNGUA!
Finalmente preciso domar o Leão.
Quer ser o rei, vaidoso e orgulhoso, o mais importante.
É O
MEU CORAÇÃO!.

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