sexta-feira, 24 de abril de 2015

CONTO DE UM EREMITA




















Conta-se que um eremita, umas dessas pessoas que, por amor a Deus se refugiava na solidão das grutas para se dedicar somente a oração e a penitencia.
Muitas vezes reclamava que tinha muito que fazer.
Uma vez um homem indagado perguntou como era possível que, em sua solidão, tivesse tanto trabalho.

Prontamente respondeu.
Tenho que domar 2 Falcões, treinar 2 Águias, manter quietos 2 Coelhos, carregar 1 burro, vigiar 1 Serpente e domar 1 Leão.

O homem olhando a sua volta:
Não vemos nenhum desses animais perto do local onde vives.
Onde estão estes animais?

O eremita então explicou:
Estes animais todos nós temos, vocês também.

VEJAM SÓ:

Os dois Falcões se lançam sobre tudo que aparece, seja bom ou mau.
Tenho que domá-los para que só se fixem sobre uma boa presa.
SÃO MEUS OLHOS!

As duas Águias ferem e destroçam com suas garras.
Tenho que treiná-las para que sejam úteis e ajudem sem ferir.
SÃO MINHAS MÃOS!

Os dois Coelhos querem ir aonde lhes agrada, fugindo dos demais e esquivando-se das dificuldades.
Tenho que ensina-los a ficarem quietos, mesmo que seja penoso, problemático ou desagradável.
SÃO MEUS PÉS!

O Burro é muito obstinado, não quer cumprir com suas obrigações.
Alega estar cansado e se recusa a transportar a carga de cada dia.
É O MEU CORPO!

O mais difícil é vigiar a Serpente, apesar de ela estar presa, numa jaula de 32 barras.
Está sempre pronta para morder e envenenar os que a rodeia.
Se não vigio de perto causa danos.
É A MINHA LÍNGUA!

Finalmente preciso domar o Leão.
Quer ser o rei, vaidoso e orgulhoso, o mais importante.
É O MEU CORAÇÃO!
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