sexta-feira, 9 de agosto de 2013

OVERDOSE DE PETISMO.


Raras vezes se viu tamanha barafunda num "mar de rosas".
Dilma Rousseff já cumpriu dois terços de seu mandato acumulando trapalhadas e fracassos.
Demorou duas décadas mas, finalmente, o PT está alcançando seu objetivo de 1994, acabar com o Plano Real.
O sonho dourado das esquerdas nos anos 90, o fim do programa que deu estabilidade à moeda nacional, aquilo que Lula tentou mas não conseguiu em seus oito anos, Dilma, está realizando em menos de quatro, à base de trombada na cristaleira.

O PETISMO ESPATIFOU A ECONOMIA E TUDO MAIS À SUA VOLTA.
Nem despejando bilhões no mercado, o Banco Central consegue conter a evasão das verdinhas ianques, que se retiram do país como os ratos abandonavam o Titanic nas impressionantes cenas do filme de James Cameron.

Há poucos meses, quando o PT festejava em São Paulo seus dez anos no governo da União, o tom ufanista dos discursos mostrava que o partido chegara à overdose de poder.
"PODE JUNTAR QUEM QUISER", bravateou Lula, convicto de nova vitória do partido em 2014.
"Qualquer coisa que eles tentarem fazer nós fazemos mais e melhor", prosseguiu o eufórico ex-presidente, nariz enfiado no pote do poder.

Seguiu-lhe a arrevesada sucessora, tratando de mostrar serviço.
Arrombou a ostra onde oculta sua sabedoria e extraiu esta pérola:
"NÃO TENHO MEDO DE COMPARAÇÕES, INCLUSIVE SOBRE CORRUPÇÃO"...
Isso tem outro nome, claro.
Mas é, também, overdose de poder.
Poder sobre a própria imagem, sobre a sociedade, poder sobre os demais poderes, poder sobre a mídia, poder agregado, ano após ano, em sequências exponenciais perante auditórios interesseiros.
Quatro meses depois, foi a vez de o povo evidenciar que também ele tivera sua OVERDOSE DE PETISMO.
E saiu às ruas para pacíficas e civilizadas demonstrações de inconformidade.
O povo deu uma olhada no próprio país e percebeu que, por trás da publicidade, dos cenários, das montagens, das invenções e versões, TUDO, SIMPLESMENTE TUDO, VAI MUITO MAL !!!
Depois de dois PACs lançados às urtigas, que não valiam a tinta e o papel gastos para redigi-los, a economia arqueja sobre uma infraestrutura carente de tudo que importa energia, rodovias, ferrovias, armazenagem, portos.

QUANTO MAIS PAC, MENOS PIB.
O Rio São Francisco continua no mesmo lugar, levando, dolente, suas águas para o mar de Alagoas.
Nas refinarias projetadas, nada se avoluma com maior rapidez do que o preço inicialmente previsto.
Aqui no Rio Grande do Sul, de onde escrevo, as ditas "obra da Copa" ficarão para depois da Copa.
O prometido, jurado e sacramentado metrô de Porto Alegre ainda é um risco no papel, em eterna discussão.
E a duplicação da travessia do Guaíba resume-se a um trabalho de computação gráfica.
A Educação brasileira é a penúltima entre 40 países estudados pela Economist Intelligence Unit.
A Saúde beira à perfeição... Sim, é um perfeitíssimo pandemônio!
Nós, os cidadãos, reconhecemos que houve uma inversão nos extratos sociais.
Mudamo-nos para o submundo, para a zona de perigo, onde não existe a proteção da lei, onde padecemos nossa desdita sob a implacável violência do andar de cima.
Ali, no andar de cima, é tudo ao contrário e o mundo do crime opera ao resguardo do imenso guarda-chuva gentilmente proporcionado pelo aparelho de Estado e suas leis.
É isso que se chama, aqui, de Segurança Pública.
TUDO POR OBRA E GRAÇA DO PETISMO QUE CHEGOU À OVERDOSE DE SI MESMO E PERDEU OS PRÓPRIOS CONTROLES.
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* Texto por Percival Puggina  arquiteto, empresário, escritor, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo: Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões.

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