APÓS SER DENUNCIADO POR CALOTE
FORA DO EIXO ABRE PLANILHAS 'VAZIAS'
Dados apresentados pelo
coletivo tem poucos detalhes sobre
como o dinheiro público é
efetivamente gasto.
Pablo Capilé com a presidente Dilma Rousseff
Após ser bombardeado com
denúncias de falta de transparência com as verbas que recebe de empresas
estatais via Lei Rounet, o
coletivo Fora do Eixo (FdE) decidiu divulgar na internet alguns de seus gastos.
Mas o que parecia ser uma
mudança na orientação do grupo liderado pelo ativista Pablo Capilé resultou, por
enquanto, num mero arremedo de Portal da Transparência, os números do coletivo
não trazem detalhes nem informam o destino do dinheiro público dos projetos.
Ao todo, planilhas de
quatro projetos foram abertas pelo Fora do Eixo nessa segunda-feira, a de um
congresso, a de um festival, a de um “centro multimídia” e alguns gastos da
chamada Universidade Fora do Eixo.
Pelos dados, é possível
observar que estatais como a Petrobras e a Companhia de Saneamento Básico do
Estado de São Paulo (Sabesp), além de empresas como a Vale, derramaram verbas
nos projetos do coletivo.
Via Petrobras, foram mais
de 600 mil reais, segundo as planilhas (um dado incompleto, já que a estatal afirma
ter direcionado 777 mil reais), via Sabesp e Vale, 300 mil reais.
Em pelo menos dois desses
projetos, a Petrobras foi a única fonte de captação externa.
O QUE REVELA A PLANILHA DE PROJETOS DO “FORA DO EIXO”,
QUE COMANDA A “MÍDIA NINJA”.
Decifrar como esse
dinheiro foi gasto é um desafio.
No momento de detalhar as
despesas, os dados do Fora do Eixo apresentam uma sopa de números.
Por exemplo, no
detalhamento da chamada Universidade Fora do Eixo, uma espécie de rede de
formação com células espalhadas pelo Brasil, os gastos parecem seguir o
princípio vago que caracteriza o próprio projeto.
Por exemplo, as tabelas
apresentam previsão de gastos de 216 mil reais em passagens aéreas desde maio
de 2012, mas nenhuma informação sobre quais pessoas utilizaram os bilhetes,
quais foram os destinos, as companhias aéreas e quando ocorreram as viagens, algo
que é comum em portais da transparência do Senado e da Câmara, por exemplo.
Há também gastos de 18 mil
reais em itens descritos como “computadores”, não especificando se o gasto se
refere a alguma compra ou manutenção.
Em todo o portal, também
não há nada que lembre um recibo de fornecedor ou pagamento de serviço. Sem
esses detalhes, é impossível verificar se os preços apontados pelo Fora do Eixo
estão de acordo com o mercado e se efetivamente as empresas ou prestadores de
serviço existem.
“A transparência plena só
acontecerá se forem disponibilizados os recibos e as notas fiscais, bem como os
extratos das contas correntes onde os recursos foram movimentados”, afirmou o
secretário-geral da ONG Contas Abertas, Gil Castello Branco.
Em nota, o coletivo
afirmou (para quem conseguir entender) que o portal “radicaliza ainda mais no compartilhamento
de dados e de construção de processos”.
Se o Fora do Eixo está
radicalizando, sem dúvida não é na prestação de contas.
Enquanto o coletivo tenta
desviar a atenção das denúncias com planilhas pouco transparentes, o site anônimo
Fora do Eixo Leaks ( www.foradoeixo.sx )
reúne mais acusações e experiências de pessoas que se envolveram com o
coletivo.
Entre eles está o caso do
prêmio AfroReggae 2012, em que o coletivo concorria na categoria Mídias Livres.
Entre os três jurados
estavam Rodrigo Savazoni, chefe de gabinete da Secretaria de Cultura de São
Paulo, e Ivana Bentes, docente na Universidade Federal do Rio de Janeiro
(UFRJ).
Assim como diz a denúncia,
Savazoni e Ivana são próximos do Fora do Eixo e já participaram de eventos organizados
pelo movimento.
Em sua página pessoal do
Facebook, Capilé chama Savazoni de “um dos grandes parceiros e amigos do Fora
do Eixo”.
Não por acaso, o coletivo
ganhou o prêmio a que concorria.
Outro tópico publicado no
site é mais um longo relato de um ex-parceiro, que atuava “bem próximo à cúpula”.
Entre as críticas às
atuações do grupo está novamente a retenção de cachês para bandas iniciantes, enquanto
outros mais “relevantes” são os que ganham o pagamento.
“Se você é um artista,
ativista ou grupo que tem grande poder de repercussão provavelmente será muito
bem tratado pelo Fora do Eixo e todas as suas relações serão capitalizadas
midiaticamente”, diz um trecho do texto.
A falta de transparência é
outro ponto questionado pelo denunciante, que afirma que ela existe no movimento
até chegar à alta cúpula, quando poucos precisam realmente prestar contas.
“O topo da pirâmide, Pablo
Capilé, não precisa se justificar, como, por exemplo, quando faz retiradas do
caixa coletivo.”
Artistas acusam grupo base
da Mídia Ninja de estelionato, retenção de cachê e outros crimes.
Em atividade desde 2005, o
grupo é conhecido no cenário da cultura independente e ganhou verniz com a
repercussão da Mídia Ninja.
Além deste, o Fora do Eixo
possui outros braços como uma “universidade livre”, apoiada pela Petrobras, um
selo musical, que possui incentivo do Ministério da Cultura, o embrião de um
partido político, chamado de Partido Fora do Eixo, e também casas espalhadas
pelo Brasil onde vivem jovens que não pagam aluguéis e trabalham em prol do
grupo sem receber salário.
No entanto, recebem como
remuneração uma moeda virtual chamada de Cubo Card, que pode ser utilizada em
troca de serviços de parceiros do grupo.
O coletivo se tornou alvo
de denúncias, como usurpação do trabalho de artistas, retenção de cachês,
estelionato, entre outros, que despontaram com o depoimento da cineasta Beatriz
Seigner, diretora do filme Bollywood Dream – O Sonho Bollywoodiano, postado em
sua página pessoal do Facebook.
.

Nenhum comentário:
Postar um comentário