SUICIDIOS MAIS FAMOSOS.
Decepções graves, rompimento de relações amorosas, perda de entes queridos em geral levam a um estado agudo de depressão e se a pessoa for muito frágil e não tiver alguém em quem se apoiar, a busca é quase sempre a decisão mais tonta que pode ser tomada por um ser humano...
O SUICÍDIO.
O PRIMEIRO SUICÍDIO DA HISTÓRIA.
O primeiro suicida ao que a História dedica umas linhas é Periandro (século VI a.C.), um dos Sete Sábios gregos. Diógenes Laercio contou como o tirano coríntio queria evitar que os seus inimigos esquartejassem o seu corpo depois de morto, motivo pelo qual elaborou um plano digno de Norman Bates. O monarca escolheu um lugar afastado na floresta e encarregou dois jovens militares que lhe assassinassem e enterrassem ali mesmo. Mas as ordens do maquiavélico Periandro não acabavam aí, tinha encarregado a outros dois homens que deviam seguir os seus assassinos, matá-los e sepultá-los um pouco mais longe. A sua vez, outros dois homens deviam acabar com os anteriores e enterrá-los alguns metros depois, assim até um número desconhecido de mortos. Em realidade, o plano para que o cadáver do sábio não fosse descoberto era brilhante, mas em vez de um suicídio tinha jeito de massacre coletivo.
O SUICÍDIO MAIS TONTO.
John Berryman (1914-1972), o autor de "Homage to Mistress Broadsheet" teve desde criança uma relação muito estreita com o suicídio. Aos 12 anos descobriu o cadáver do seu pai, que acabara de dar um tiro na própria cabeça. Esta imagem inspirou as suas famosas 77 canções do sonho em poesia que acabou ganhando o Pullitzer de poesia. Ainda que Nick Cave seja fã seu, os que lhe conheceram falaram do seu caráter impossível, perverso, alcoólatra e manipulador. Em 1972, consumido no desespero pulou de uma ponte de Minneapolis sobre o rio Mississipi. Berryman não caiu na água e sim no lodo a margem dos rio onde morreu asfixiado.
O SUICÍDIO MAIS ESPETACULAR.
Yukio Mishima (1925-1970), apaixonado do passado do Japão e inimigo ferrenho da sociedade japonesa ocidentalizada de pós-guerra, as suas novelas destilam um ar rançoso e conservador, poético e espiritual. A sua obra mais importante é a tetralogia de novelas "O mar da fertilidade". Em 25 de Novembro de 1970, após entregar a seu editor o manuscrito do livro que completava a saga, Mishima dirigiu-se com três comparsas a um quartel do exército japonês. Entraram no escritório do general, amarraram-lhe a uma cadeira e Mishima anunciou que estava dando um golpe de estado e começou a ler a sua lista de exigências, que incluíam a volta do imperador. Os soldados riram dele, e Mishima, dentro do escritório, praticou o ritual do harakiri. Um suicídio lento e doloroso, no qual os sucos gástricos vão pouco a pouco corroendo os órgãos. Quando já tinha sofrido o bastante, e seguindo as normas que indica o ritual, um comparsa tentou cortar a sua cabeça, mas falhou por três vezes.
Na quarta, conseguiu separá-la do corpo.
O SUICÍDIO MAIS ORDENADO.
Robert E. Howard (1906-1936), autor de novelas baratas que é comumente lembrado por três coisas:
Ø Foi íntimo amigo de Lovecraft
Ø Criou o personagem de "Conan o bárbaro"
Ø Perpetrou um meticuloso suicídio.
Quando a sua mãe entrou em coma, Howard primeiro assegurou o futuro da sua obra, depois pediu emprestado um revólver e perguntou a um médico sobre as possibilidades de sobreviver a um disparo na cabeça. A véspera do seu suicídio reservou três túmulos no cemitério local, um para sua mãe agonizante, outro para o seu pai idoso e um terceiro para ele mesmo, e no dia seguinte deu um tiro na própria cabeça no interior do seu carro. Na sua nota de suicídio reproduziu alguns versos que escreveu quando tinha 10 anos, de modo que também os tinha à mão e preparados para o momento fatídico.
O SUICÍDIO COM MAIS SENSO DE HUMOR.
Eugene Izzi (1953-1996), escritor de novelas policiais, propôs o seu suicídio como um enigma para a polícia, que quase parece retirado de um dos seus livros. Na madrugada de 7 de dezembro de 1996 pendurou-se na janela do décimo quarto andar de um edifício central de Chicago.
Na manhã seguinte, a polícia encontra o cadáver de Izzi com um colete a prova de balas. Nos bolsos da jaqueta do enforcado encontram um soco-inglês, um spray de pimenta e várias disquetes com parte da sua obra. Quando entraram na sua casa, descobriram várias pistolas carregadas, bem como outras pistas falsas.
O SUICÍDIO MAIS DIFÍCIL.
Attila József (1905-1937), este atormentado e revolucionário poeta húngaro não se destacou em vida pela sua sorte ou habilidade com os suicídios. A primeira tentativa de acabar com a sua vida foi ingerindo cinquenta aspirinas, que além das horríveis dores de estômago não lhe causaram grande dano. seguinte vez, engoliu um veneno que resultou inócuo. A terceira, deitou-se numa via férrea, mas fracassou porque o trem tinha atropelado outro suicida antes. Ao final na sua quarta tentativa conseguiu pôr fim à sua vida ao ser atropelado por um trem, que desta vez não parou.
O SUICÍDIO MAIS VISIONÁRIO.
Paul Lafargue (1842-1911), casado com a filha de Marx, Lafargue foi o introdutor do socialismo na Espanha. Além de escrever a obra mestre "O direito à preguiça", dedicou toda a sua vida a difundir a obra da sua nora. Na sua nota de suicídio escreveu "Morro com a suprema alegria de ter a certeza de que muito cedo triunfará a causa à que me entreguei há quarenta e cinco anos". Sem entrar na questão se isto pode ser considerado um triunfo do marxismo ou não, mas seis anos mais tarde os bolcheviques tomaram o poder na Rússia.
O SUICÍDIO MAIS FREUDIANO.
Vachel Lindsay (1879-1931) e Charlotte Mew (1869-1928), poeta estadunidense e vagabundo, é célebre por ser um dos primeiros em criar as bases da crítica cinematográfica, bem como pelo seu poema onomatopeico "The Congo". Poetisa inglesa que fumava, viajava sozinha e se vestia como um homem, para escândalo da sociedade daquela época. Poeta ele e poetisa ela, compartilharam um método de suicídio surpreendente: Ambos beberam uma garrafa de Lysol, um desinfetante vaginal da época.
O SUICÍDIO MAIS RIDÍCULO.
Ferdinand Raimund (1790-1836), de origem muito humilde, o seu rosto acabou nas cédulas de 50 xelins austríacos. Dramaturgo nacional do país da Europa central, conseguiu a celebridade por criticar e fazer sátira dos costumes dos seus contemporâneos. Acabou suicidando-se por motivos bastante ridículos, foi mordido por um cão e aterrorizado ante a possibilidade de ter contraído a raiva, acabou com a sua vida.
O SUICÍDIO MAIS EXAGERADO.
Raymond Roussel (1877-1933), um dandy viajante, milionário e drogado publicou "Locus Solus" e "Impressões da África", com um estilo muito próprio baseado na homofonia. À hora do seu suicídio não quis dar mole ao fracasso. Segundo conta a sua biografia, Roussel ingeriu 16 ampolas de Somnothyril, quinze de Soneryl, dez de Hypalene, onze de Lutonal, oito de Phanadorme, uma caixa de Declonol, um frasco de Hyrpholene, dez ampolas de Neurinare e doze de Veriane para suicidar-se. Não é necessário dizer que teve sucesso no seu intento.
O SUICÍDIO MAIS POÉTICO.
José Assunção Silva (1865-1896), romântico tardio ou modernista primitivo, este poeta colombiano de curta e influente obra, escreveu "Noturnos', fragmentos que aparecem em qualquer antologia de poesia hispano-americana. A sua obra é pequena porque num naufrágio, perdeu quase todos os seus escritos, a imensa maioria dos quais ainda não publicados. Este fato e a morte da sua irmã Elvira, que foi o seu grande amor, tocaram profundamente a José Assunção. Um dia antes de suicidar-se com um disparo na cabeça, pediu a seu médico, o doutor Manrique, que lhe desenhasse sobre a pele o lugar exato que ocupava o coração.
O SUICÍDIO MAIS APARATOSO.
Nicolás de Chamfort (1741-1794), escritor parisiense, brilhante e mundano é bem mais conhecido pelas suas frases e epigramas que por qualquer um de seus livros. Durante a Revolução Francesa, opôs-se ao Terror de Robespierre e ficou preso durante um breve período. Aterrorizado ante a possibilidade de voltar a ser detido e processado, colocou a arma embaixo do queixo e disparou. Chamfort deu tanto azar que destroçou o nariz e a mandíbula mas não se matou. Pegou então um abridor de cartas do seu escritório e se apunhalou várias vezes no pescoço, sem sucesso. Desesperado, tentou no peito e na perna, mas perdeu a consciência antes de conseguir matar-se. Foi encontrado pelo seu criado numa poça de sangue e Chamfort acabou os seus dias num hospital.
A FAMÍLIA SUICIDA.
Horacio Quiroga (1878-1937), aos três meses foi testemunha da cena do seu pai dando um tiro na cabeça com escopeta. A sua mãe voltou a casar-se e após cinco anos de casamento, o padrasto suicidou-se exatamente como o seu pai. Com o tempo, o jovem Quiroga tornou-se professor de castelhano no Colégio Britânico de Buenos Aires e casou-se com uma aluna, que em 1915 se suicidou bebendo um líquido para revelar fotografias. Manteve um breve romance e uma longa amizade com Alfonsina Storni que se suicidou 20 anos depois, jogando-se ao mar, na seguinte etapa da sua vida. Um amigo, Leopoldo Lugones, indicou-o para o posto de cônsul do Uruguai na capital portenha. Pouco tempo depois perdeu o mesmo amigo que tomou arsênico. Um ano e um dia após a morte de Lugones, Quiroga ingeriu uma dose letal de cianureto. Pouco mais tarde a sua filha Eglé suicidou-se e em 1951 foi a vez do filho Dario.
O SUICÍDIO MAIS ESTÚPIDO.
Michael Strunge (1958-1986), poeta norueguês que se converteu no ídolo maior dos góticos nórdicos. Numa das suas consultas ao psiquiatra por causa da sua forte depressão causada pelo transtorno bipolar saltou da janela do quarto andar. As suas últimas palavras foram "Olhem ! Posso voar !".
UM SUICÍDIO EM CONJUNTO.
Hitler e a sua mulher, Eva Braun, suicidaram-se juntos.
Entraram em casa, fecharam a porta e Hitler deu um tiro na sua cabeça enquanto Eva ingeria veneno.
UM SUICÍDIO POR SEGUIR UMA MODA.
Hannah Bond, uma menina emo de 13 anos suicidou-se no seu quarto, depois de duas semanas de aderir ao estilo emo. Ela era fã de "My Chemical Romance" e supostamente estava obcecada com o disco "The Black Parade" e com a morte. Começou a cortar-se e a encher as suas páginas da internet com fotos de garotas com as veias cortadas ou ursinhos rosados pendurados pelo pescoço cheios de sangue. Enforcou-se com uma gravata para impressionar os seus amigos. A jovem deixou uma nota suicida na qual empregou o pseudônimo "Desastre vivente". Ao regressar da casa de um amigo, Hannah Bond disse aos seus pais que queria matar-se, que lhe responderam "Larga mão de ser boba menina". A adolescente foi encontrada pendurada num beliche uma hora após a sua advertência.
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