domingo, 9 de outubro de 2011

OGUM - O EQUILÍBRIO ENTRE A LUZ E AS TREVAS

Vamos começar este capitulo dizendo que Ogum é o guardião do ponto de força que mantém o equilíbrio entre o que está no alto e o que está embaixo, o positivo e o negativo, a Luz e as Trevas, a paz e as discórdias. Por isso ele é chamado de “Senhor das Demandas”.
Seria necessário um livro com muitas páginas para contarmos o que é Ogum. Como não é possível, vamos falar algo sobre seu ponto de força, e como age. Tudo no mundo gira em torno do equilíbrio entre Luz e Trevas, Bem e Mal, positivo e negativo, alto e embaixo, direita e esquerda, etc.
Se uma pessoa assume uma forma contemplativa de vida, está se colocando como mero observador do desenrolar do dia-a-dia da humanidade. Como não é possível e nem aconselhável assumirmos tal postura, o melhor a fazer é procurarmos Ogum como nosso guia de viagem na senda da Luz. Ele sempre nos avisará quando sairmos da linha de equilíbrio que divide Luz e Trevas.
Tudo é regido por uma lei imutável, a Lei do Criador. Esta Lei é um meio para que nos mantenhamos na linha do equilíbrio, para que possamos evoluir. Quando ultrapassamos seus limites, encontramos Ogum pela frente. Sendo o orixá que vigia a execução dos carmas, tem sob suas ordens tanto a Luz como as Trevas. É o senhor que vigia os caminhos, tanto para cima como para baixo. Sem Ogum, a justiça de Xangô não seria executada, e o equilíbrio não seria restabelecido.
Assim, Ogum também é um executor do carma.
Seu campo de ação se estende pelos sete círculos, tantos os ascendentes quanto os descendentes. A partir desses dois limites, impera a Lei do Criador. Se para baixo, cai nos domínios sem retorno ao nosso plano. Sua alma retorna a um campo de atuação que não nos é revelado.
Sobre esses campos, tanto na Luz como nas Trevas, nada é permitido saber, e nada é revelado. Quanto ao campo de ação de Ogum, veremos qual é, e como atua. O campo de Ogum é composto do impulso que nos move para alguma direção.
O impulso que nos faz lutar por alguém ou alguma coisa, não importa o que seja, pertence ao campo de Ogum. Quando auxiliamos, temos Ogum atrás de nos guardar. Porém quando odiamos, temos Ogum à nossa frente para nos bloquear. Neste ponto é que se mostra a força de Ogum.
Como Guardião do Ponto de Força da Lei, abrange a todos, e tudo que alguém fizer envolvendo magia ou ocultismo será anotado por ele, para posterior julgamento junto ao Senhor da Lei, que é Deus. Quando a Lei quer recompensar, é Ogum quem dá. Mas quando quer cobrar, é seu lado negativo quem executa. Quando caminhamos rumo a Luz, Ogum está a nossa direita; quando rumamos para as Trevas, ele apenas inverte sua posição, mas não o lado. Portanto, ele estará a nossa esquerda.
Quem tem Ogum à sua direita, está à direita do Criador; quem tem Ogum à sua esquerda, logo sofrerá o choque de força da Lei, pois como seu executor, Ogum aguarda apenas o momento certo para executá-lo. Muitos se enganam a não vigiar suas próprias ações.
Ogum é mais! Enquanto ordenador divino, independente de qualquer ritual, ele age sem uma forma plasmada, apenas como energia. Eis um dos seus mistérios.  Ogum não age sob uma forma definida, mas como energia. Tanto atrativa quanto repulsiva. Quando atrativa, o executado tem um longo período de provação e sofre os choques oriundos das Trevas em toda sua forca de resgate de dividas passadas.
Quando repulsiva, ou repelente, a pessoa é amparada pela Lei, e tem Ogum como protetor: Ogum “luta” para não deixar cair a quem ele está protegendo.
Os casos em que médiuns, após sofrerem um choque de magia negra, têm suas forças espirituais abaladas, significa que sua linha de força, o seu Ogum “pessoal” está em luta contra as forças negativas envolventes que têm por fim destruí-lo.
Ogum também é isto: defesa contra as forças destrutivas oriundas das Trevas. Enquanto o Orixá Ogum pessoal estiver em luta, o médium estará em segurança. Se ele se afasta, o médium cai. Este é o momento da autocrítica, momento de prestar atenção ao que esta ocorrendo ao seu redor e descobrir se é somente um choque ou se é uma cobrança de dívidas passadas. Se for apenas um choque, ele será dominado facilmente.
Mas, se for uma cobrança do passado, somente com muita paciência será superado o período de provação. Quando o médium não atenta para isto, fica desequilibrado e se afasta da senda da Luz. Ogum também é o vigilante do caminho daqueles que empreenderam sua caminhada pela senda da Luz. E é mais ainda. Ele é atuante nos reinos elementares, não mais como entidade atuante, mas como ordenador elementar.
Eis mais um de seus campos de ação enquanto guardião do ponto de força entre o positivo e o negativo. Seus mistérios são muitos e quase todos desconhecidos. Quem conhece a décima parte de seus atributos é um sábio, quem conhece uma fração a mais é um iluminado, e quem conhece um pouco mais, é um ungido.
Ogum, como nós o conhecemos na Umbanda, é apenas a manifestação de um dos seus mistérios. É apenas um dos seus mistérios, que se multiplica por sete, os quais se multiplicam por outros três.
Difícil de entender? Talvez. Vamos tentar esclarecer: se um médium tem como orixá de frente Yemanjá, terá como linhas atuantes no ponto de força do equilíbrio três Oguns: Beira-mar, Marinho, e Sete Ondas, todos recebendo influencia direta de Yemanjá, sem deixarem de ser Oguns. São os entrecruzamentos das linhas de força da Umbanda, todas atuando em harmonia, mas cada uma com seu ponto de força bem definido.
Se buscarmos todas as linhas que Ogum emana para os outros orixás, vamos encontrá-las sempre atuando conforme o ancestral místico e os orixás de frente e junto. Senão vejamos: Ogum Beira-mar mantém o equilíbrio entre a Água e a Terra; Ogum Sete Ondas mantém o equilíbrio entre a Água e o Ar; Ogum Marinho age no elemento Água propriamente dito. Todos são Oguns, mas cada um tem o seu campo de ação.
Vamos mostrar outro campo de ação de Ogum. Todos os orixás têm os seus apostos negativos, que representam o equilíbrio das duas forças, positiva e negativa, agindo em harmonia quando o médium esta equilibrado. Os negativo são os Exus de Lei, ou Exus ligados aos orixás. Quem é o elo de ligação desta corrente, senão Ogum?
Há uma diferença muito grande entre o Exu da Umbanda e o da Religião Africana Original, ainda cultuado em sua antiga forma. Exu é o elo comunicante entre o Orixá e o médium. Os Exus de Lei da Umbanda são entidades atuantes no nosso plano como agentes carmáticos, sobre as ordens de Ogum, o dono ou Guardião do ponto de Força do Equilíbrio.
Todos os guias ou mentores trazem consigo Exus em evolução, liberados para atuarem junto ao médium nos seus trabalhos. Mas quem anota o que estas forças fazem é Ogum, o Guardião da Lei Maior.
Se um médium sabe quem é o seu orixá pessoal, saberá qual é o Ogum atuante e os auxiliares que se integram no cruzamento de linha de força, e assim saberá quais são os Exus que atuam à sua esquerda.  Se um médium vive sob o domínio das emoções, entidades a sua esquerda e que atuam neste campo, vão adquirindo cada vez mais força sobre os seus sentidos, escapando ao guardião do equilíbrio, o seu Ogum.
Este, por conhecer o médium à sua disposição, deixa que o tempo o corrija ou o anule como mediador entre os dois planos. Se nada fizermos para nos corrigirmos, Ogum também nada poderá fazer. Ele tem influência sobre o Exu pessoal, mas não age sem que o médium assim o queira.
Todos os Orixás têm os seus Exus correspondentes, e os Oguns que atuam para equilibra-los. Não devemos nos esquecer disso, pois Ogum também é isto. O campo onde Ogum age como ordenador é o campo da Lei Maior. Se Alguém vai a um ponto de forças negativo, encontrará ali Ogum vigiando-o. Toda demanda feita é anotada pelos guardiões  dos pontos de força.
Quando alguém pensa que não será descoberto por fazer um trabalho às escondidas contra alguém, Ogum já o anotou e sua má ação é inscrita no seu carma para posterior cobrança, promovendo o equilíbrio nas ações futuras. Ogum é o orixá que mantém ligação com todas as linhas de Exus de Lei e seu campo de atuação é imenso.
Nenhum orixá tem um campo de ação igual ao outro, pois são linhas de força atuando sobre espíritos, tanto encarnados, como desencarnados. E o campo de Ogum é este: o campo dos sentidos humanos.  Desejo, inveja, ódio, vingança, são sentimentos condenáveis que sempre causam ações negativas por parte de quem os alimenta.
É neste ponto que Ogum começa a agir com sua força cármica anotando as ações para posterior cobrança e reequilibrio. Que ninguém se esqueça disto quando pensar em fazer o mal ao seu semelhante.



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