sexta-feira, 3 de junho de 2011

AS DIVINDADES DA CAÇA E DA COLHEITA













Em todas as civilizações antigas encontramos
Deidades que cuidam da caça e até mesmo dos caçadores.
Portanto faremos um trabalho bem brasileiro de
sincretismo entre esses deuses, até porque o
sincretismo é um termo substantivo provindo da época
dos cultos africanos secretos no Brasil, pois
sincretizavam com os santos dos colonizadores os
seus deuses para que assim seu culto continuasse
sem represálias dos dominadores.

Iniciamos então fazendo a famosa suposição
pré-histórica baseada nas descobertas arqueológicas
o homem primitivo, de aproximadamente 12 mil
anos atrás (era paleolítica) retratava com
pinturas rupestres nas cavernas uma espécie de
deus chifrudo, considerado devido às civilizações
posteriores um deus cornífero da caça.
Presumiu-se que nos tempos antigos ele era invocado
antes do homem sair para caçar, para abençoar o
caçador com sucesso e fartura. O Deus cornífero é
o caçador e a caça e também o senhor das profundidades
das florestas.
O extinto povo celta que provém de eras paleolíticas
também tinha uma dedicação toda especial aos seus
deuses da caça e das colheitas, muitos eram os
atributos de variados deuses, citamos como exemplo
Herne, o caçador que era cultuado em quase toda a
extensão do antigo mundo céltico e que foi associado
a Cernunnos (nome latino para o “chifrudo”)
posteriormente, estes deuses masculinos são
considerados deuses corníferos cujo culto surgiu
entre os povos que dependiam da caça, por isso
sempre foram considerados os deuses dos animais
e da fertilidade, e ornado com chifres, pois os
chifres representavam poder, energia com o cosmos
fertilidade e vitalidade. Um altar para Cernunnos
foi descoberto onde é hoje a Catedral de Notre Dame
em Paris.
Muitos outros nomes de deuses da caça foram
cultuados em toda extensão da Europa céltica, como
o Homem Verde (Green Man) ainda é venerado em
celebrações e é um símbolo comum nas tavernas
da Inglaterra.
Daremos também destaque a Deusa Flidais que era
cultuada onde hoje é a Irlanda como deusa da caça
e da agricultura.

Na Grécia Antiga encontramos Ártemis, apesar de
seus inúmeros atributos e de ter chegado até nós
como uma deusa lunar, isto não isenta a sua
principal função dentro dos padrões arquetípicos
gregos que é o de caçadora e protetora dos animais
e dos homens que com a caça suprem as necessidades
familiares e tribais.
Era considerada uma deusa guerreira, sendo
patrona das amazonas. Também incorporava em
alguns locais o arquétipo da fecundidade até
mesmo sendo guardiã das mulheres no momento do parto.
As qualidades que se procuram nessa deusa é a da
auto-afirmação e independência. Encontramos as
forças dela em todos os locais silvestres e
inabitados preferencialmente bosques e prados, onde
poderá ser encontrada com seus animais e, seu maior
símbolo:
o arco e a flecha, cujo nos poemas da
Ilíada de Homero seriam de ouro, apesar
de alguns outros escritos referirem que
seu arco seria de prata.
Ártemis aparece na mitologia também como
deusa da vegetação, uma deusa da parte
intocada da natureza.
Por isso era ligada a um culto antigo da
Arvore da Lua, onde sua imagem era
pendurada em galhos e arbustos.
Existiu um rito de iniciação à deusa, onde
meninas com menos de 9 anos, dançavam com
pele de urso a dança do urso em seu templo.
Bodes eram sacrificados nestas cerimônias
para que tais jovens pudessem conhecer também
o lado sombrio da Deusa-Lua e os seus mistérios
sangrentos da morte, sacrifício e renovação.


Ártemis equivale à deusa romana Diana em razão
de seus atributos de protetora das florestas, dos
bosques, da vida silvestre e dos animais.
Alguns dizem que seu principal animal é o
cão selvagem, outros dizem ser o cervo.
Diana era cultuada em templos rústicos nas
florestas e o mais famoso ficava no bosque
junto ao lago Nemi, perto de Aricia.
Onde eram praticados rituais de iniciação
semelhantes aos feitos para a Deusa Ártemis
na Grécia.

No Egito encontramos uma das mais antigas
deusas caçadoras, é Neith.
Ela era ainda a que abria os caminhos, sendo
guerreira e protetora e considerada a Senhora
do Oeste.

Seu nome significa:
“eu venho de mim mesma”.
No período pré-dinástico tinha a forma de
escaravelho e posteriormente, seus atributos
foram o arco e flecha cruzadas sobre o escudo
(todos de prata), que constituíam seu emblema.
Também levava uma coruja na mão direita e uma
lança na esquerda.
Foi por isso, que Heródoto a associou a Atenas.
Ela usava a coroa vermelha do Baixo Egito e em
suas mãos segurava um arco e duas flechas.
O abutre era o animal sagrado de Neith e de
outras deusas.
O símbolo hieroglífico para "mãe" era um abutre.
Ele come os cadáveres e lhes dá novamente a vida
simbolizando o ciclo da perpétua transmutação
morte-vida.

Em países africanos que se falava os dialetos
yorubá encontram-se diversos deuses da caça e
da vegetação, mas quando estes vieram cativos
para o Brasil trouxeram consigo apenas um deus
considerado da caça que é o Orixá Oxossi ou Odé
(que em língua iorubá quer dizer caçador)
cultuado hoje no Brasil pelos adeptos dos
Candomblés das nações de Kêtu, Efon e outros.
Também temos outro caçador e abridor de caminhos
que é Ogum, considerado irmão de Oxossi e quem
o ensinou a caçar, dizem que Ogum, como Orixá
Primordial introduziu na terra a Idade do Ferro
ensinando a todos a lidar com esse mineral e
a fazer ferramentas para a sua sobrevivência
através da agricultura, caça e armas de guerra
para defender a sua prole e o homem nômade a
partir daí passou a se organizar em comunidades.
E a partir especificamente da caça, o homem passou
a distribuir o excesso do que caçava a sua tribo
a mudança da coleta para o partir para a caça
trouxe a abundancia e a prosperidade, e é
quando ocorre o aparecimento dos Ode’s (caçadores)
e de Oxossi que se divinizaram, tudo graças às
ferramentas de Ogum, por isso em muitas regiões
africanas se cultua os Ode’s através de Ogum.
Oxossi no Brasil é reverenciado nas quintas-feiras
com a cor verde ou azul-claro; suas ferramentas são
o arco e a flecha (damatá ou ofá) e o chicote feito
de rabo de boi e couro (iruquerê), utilizando em
muitos rituais dois chifres de búfalo dependurados
na cintura, seus domínios são as matas, florestas
cerradas, parques florestais e os animais silvestres.
Oxossi protege os animais e as plantas, é considerado
o Rei das Matas, o provedor do sustento...
É tradicionalmente associado à Lua e, por conseguinte
à noite, melhor momento para a caça.
Este Orixá representa atividades e temperamentos
próprios da juventude viril. Vive ao ar livre e
está sempre longe de um lar organizado e estável
(assim como Ártemis, que é considerada uma Deusa Virgem)
tendo um conceito de liberdade e independência.
Existem locais na África onde encontramos Oxossi
como Orixá feminino sendo esposa do Orixá Odé ou do
Orixá Ogum, mas no Brasil é cultuado como Orixá
masculino e na África seu culto foi quase extinto
segundo Pierre Verger.
Já os africanos de dialeto bantu quando vieram
para o Brasil trouxe outro deus da caça e vegetação
chamado de Nkisi Mutakalambo (o caçador) ou
Kabila (quer dizer o pastor), cultuado hoje no Brasil
no Candomblé de Angola.
É um deus caçador habitante das florestas e montanhas.
É responsável pela fartura e pela abundancia de alimentos.
Sua cor é o verde e usa como instrumento o arco e a flecha.

Ainda na linha africana de cativos que vieram para o
Brasil encontramos entre os povos de língua fon o
Vodum Agué, sendo este o deus da caça e da floresta dos
daomehanos, cultuados hoje no Brasil no Candomblé Jêje Mahi.

No norte do Brasil, principalmente, existem os cultos às
entidades Indígenas caçadoras.
Isso ocorre nos Candomblés de Caboclo, no Catimbó
Terecó, na Encantaria, Pajelança e também na Umbanda
entre outras manifestações religiosas e espirituais
onde existem a manifestação de Entidades Caboclas
parte dessas entidades dizem ter vivido nesse país
como Índios e utilizam como paramentos os mesmos
arco e flechas das divindades anteriores das mais
variadas culturas.
Todas essas Divindades e Entidades nos levam a
pensar se as energias que carregam não seriam as
mesmas, facilitando assim em muito a nossa relação
com elas numa forma energética da caça e não em
formas individualizadas e personificadas.

Desejo a todos uma boa reflexão sobre o exposto
e que em sua próxima caçada possam ser mais
felizes com os objetos da caça.


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